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Boletim Médico-Espírita

Dra. Cristiane Ribeiro Assis fala a Folha Espírita sobre: "Cuidados Importantes no momento do parto"
Cuidados importantes no momento do parto

Cristiane Ribeiro Assis

No mês passado pudemos conhecer um pouco sobre os estudos do dr. Michel Odent, reconhecido obstetra francês e fundador do Primal Health Research Centre. O objetivo desse centro de pesquisas é estudar as correlações entre o que acontece durante o que ele chama de período primal (que vai desde a concepção até o primeiro aniversário do bebê) e a saúde do indivíduo.

Falamos um pouco sobre as preciosas informações obtidas sobre o parto e suas repercussões, quando avaliados os comportamentos de animais como os ratos, ovelhas, patos e macacos. Sendo mamíferos e estando sob o comando do cérebro primitivo no momento do parto, os seres humanos também passam pelas mesmas alterações hormonais e comportamentais dos demais animais. E, diante das centenas de estudos reunidos no banco de dados organizado pelo dr. Odent, está bem claro o quanto esse momento é essencial, não só para o estabelecimento de um bom vínculo do bebê com sua mãe, mas também com o mundo que o cerca. Para ter acesso a essas informações, visite o site www.birthworks.org/primalhealth.

Ainda na tentativa de captar todas as nuances envolvidas no trabalho de parto, o dr. Michel Odent procurou avaliar de que forma o mesmo ocorria em tribos primitivas. E, ao comparar o comportamento desse grupo com a nossa sociedade, chegou a conclusões assustadoras. O desespero da mulher civilizada tentando evitar a dor, cercada dos rostos desconhecidos de integrantes da equipe médica de saúde e a frieza do ambiente hospitalar contrastam imensamente com o que acontece nas aldeias indígenas e africanas. As mulheres dessas tribos, ao notarem o início do trabalho de parto, procuram retornar tranqüilamente às suas casas ou buscam um lugar tranqüilo para terem seus bebês. Chamam pela presença de sua mãe ou um parente próximo para ajudá-las. Seus parceiros interrompem suas atividades e ficam por perto aguardando para receber seus filhos.

Diante desses fatos, chegou à conclusão de que quanto maior a necessidade social para a agressão e a habilidade em destruir vidas, mais invasivos são os rituais e crenças sobre o período que cerca o parto. Essa regra simples pode ser ilustrada tomando como exemplo as atitudes mais extremas. Em Esparta, na antiga Grécia, havia a melhor população de guerreiros. Quando um menino nascia, era jogado no chão. Se sobrevivesse, supunha-se que ele se tornaria um bom guerreiro.

Durante muito tempo foi preciso que os seres humanos fossem agressivos e capazes de se defender dos outros animais. Contudo, hoje vivemos em sociedades ditas civilizadas e não há mais razões que justifiquem atrapalhar o primeiro contato entre a mãe e seu bebê. Tal atitude tem apenas dificultado o estabelecimento de vínculos e prejudicado o aprendizado da capacidade de amar. No momento de sua fragilidade máxima, os bebês são privados de estar ao lado daquela que os protegeu e alimentou durante os nove meses em que se preparavam para nascer e que é a única referência que possuem nesse ambiente totalmente novo.

Como conseqüência do desrespeito a esse precioso momento na vida dos bebês, são crescentes a agressividade e incapacidade de amar em nossa sociedade. A pesquisadora Adrian Raine e sua equipe, da Universidade da Califórnia do Sul (Los Angeles), acompanharam 4.269 sujeitos masculinos até a idade de 18 anos. Nesse estudo, eles descobriram que o principal fator de risco para se tornar um criminoso violento (uma forma de dano na capacidade de amar os outros) era a associação de complicações no parto e separação precoce ou rejeição pela mãe.

Atualmente passamos por um momento em que é fundamental que saibamos amar, respeitar e cuidar não só de todos os seres humanos, mas também do planeta em que vivemos e de seus componentes (animais, vegetais e minerais). Sem essa postura não haverá como acreditar em um futuro tranqüilo e feliz. Estamos aprendendo que, ao cuidarmos de nossas crianças e respeitarmos suas individualidades desde a concepção, fortalecemos nelas a capacidade de amar, característica fundamental para a tarefa que as aguarda nesse planeta.

Sempre na tentativa de oferecer a melhor assistência às mulheres durante o trabalho de parto, em inúmeros momentos a Medicina deu prioridade às descobertas técnicas e medicamentosas em detrimento às reais necessidades do recém-nascido. O dr. Frédéric Leboyer foi um dos primeiros a chamar a atenção dos obstetras e neonatologistas para as repercussões dessa desatenção, despertando uma série de transformações, estudos e observações.

E ao dedicar maior atenção ao grandioso momento do parto, naturalmente surgiu o interesse pelo principal sentimento envolvido no nascimento de uma criança: o amor incondicional. Como conseqüência, após séculos de práticas e condutas que afastavam a humanidade da importância do amor em nossas vidas, a Ciência tem comprovado algo que Jesus nos ensinou quando esteve entre nós: para sermos felizes é fundamental que tenhamos a capacidade de amar a Deus e sua criação acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

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