Introdução

Histórico e pesquisas:


A espiritualidade e a religiosidade sempre foram intrínsecas ao ser humano. As próprias universidades e hospitais cresceram em berços de templos religiosos1. Entretanto, o que foi visto nos últimos séculos foi uma total separação entre a religião e a medicina. Segundo Freud a religião seria uma prova da imaturidade humana e não seria benéfica.

A partir da década de 50, estudos epidemiológicos passaram a mostrar os benefícios da religiosidade e espiritualidade para o paciente e desencadearam uma série de linhas de pesquisa nesse assunto. Contrapondo Freud, a religião passou a ser vista como benéfica e norteadora de desfechos clínicos, vindo a nascer a chamada “Espiritualidade baseada em evidências.

Atualmente trabalhos já demonstram a associação entre espiritualidade e religiosidade com bem-estar geral (satisfação com a vida, felicidade, dentre outros), ausência de depressão, menor abuso de drogas ilícitas e lícitas, menor incidência de suicídio, melhor qualidade de vida, menor mortalidade, menor tempo de internação, dentre outras associações.

Apesar dos desfechos evidenciados pelos estudos, ainda não se sabe qual é o exato mecanismo fisiológico pelo qual a espiritualidade e religiosidade levariam a tais benefícios. Sendo assim, diversos autores passaram a formular hipóteses e tentar encontrar o exato mecanismo.

Estudos demonstraram associações de maior espiritualidade e religiosidade com menores níveis pressóricos e menos hipertensos, melhores níveis de lipídes, menores níveis séricos de cortisol (estresse) e melhor função imune.

Conceitos Básicos:

Quando lidamos com o assunto espiritualidade, religiosidade e religião, é necessário definir alguns conceitos básicos. Apesar de não ter uma definição consensual para estes termos, neste estudo serão usadas as seguintes definições elaboradas por Koenig em 2001:

• Religião: Sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos designados para facilitar o acesso ao sagrado, ao transcendente (Deus, força maior, verdade suprema, ...).
• Religiosidade: extensão na qual um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. Pode ser organizacional (participação na igreja ou templo religioso) ou não organizacional (rezar, ler livros, assistir programas religiosos na televisão).
• Espiritualidade: É a saída pessoal para entender questões relacionadas a vida, ao seu sentido, sobre as relações com o sagrado ou transcendente que, pode ou não, levar ao desenvolvimento de práticas religiosas ou formações de comunidades religiosas.

Instrumentos de Avaliação:

Instrumentos de avaliação podem ser usados para facilitar a abordagem do paciente e também para cunho científico. A escala de DUREL32 desenvolvida na Duke University nos Estados Unidos é muito usada com essa finalidade, pois consegue aferir por meio de 5 perguntas a religiosidade intrínseca, extrínseca e espiritualidade. Outras escalas muito utilizadas e já validadas no Brasil são as Escalas de Práticas Religiosas Privadas e Sociais, que também são utilizadas com o intuito de pesquisa.

Inclusão nas escolas Médicas:

Em 1993, menos de 5 escolas médicas dos Estados Unidos tinham a disciplina de religião- espiritualidade em medicina. Em 1994, 17 das 126 escolas médicas americanas ofereciam cursos sobre Espiritualidade. Em 2000, este número subiu para 65 escolas, oferecendo cursos não eletivos, optativos e em 2004, atingiu-se a importância de 84 escolas médicas. Dados da Harvard Medical School de 2007, apontam que mais de 100 escolas médicas americanas (70,9%) das atuais 141, já possuem cursos de espiritualidade na medicina36. Da mesma forma, instruções a respeito de espiritualidade nos programas de residência médica em psiquiatria americanos já são compulsórias.

Na Grã-Bretanha, estudo realizado em 2008, demonstrou que aproximadamente 59% das escolas médicas já possuem cursos de espiritualidade na graduação de medicina.

No Canadá, pesquisa realizada pelo George Washington Institute for Spirituality and Heath (GWISH)39 em 2001 demonstrou que só haviam 4 escolas médicas (24% das 17 escolas) com cursos de espiritualidade. Em decorrência disso, foi criado o GWish Canada Initiative em 2004, envolvendo líderes de 12 escolas médicas canadenses (70% do total) para implementação maciça de cursos de espiritualidade na medicina do Canadá.

No Brasil destacam-se os seguintes Centros de Pesquisa sobre Espiritualidade e Saúde: Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos, na Universidade de São Paulo; o Grupo WHOQOL-Brasil, instalado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul; o Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora e o Núcleo Avançado de Saúde Ciência e Espiritualidade, na Universidade Federal de Minas Gerais.

A primeira Universidade brasileira a introduzir um curso de extensão universitária sobre Saúde e Espiritualidade foi a Universidade Santa Cecília (Santos-SP), no ano de 2002, hoje apresenta o curso de aperfeiçoamento “bases da integração cérebro-mente-corpo-espírito”. A primeira Faculdade de Medicina a abordar curricularmente a questão da Espiritualidade foi na Universidade Federal do Ceará no ano de 2004.

No ano seguinte, a Faculdade do Triângulo Mineiro iniciou disciplina optativa sobre Saúde e Espiritualidade, juntamente com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais e em 2006 a Universidade Federal do Rio Grande do Norte iniciou a Disciplina optativa de Medicina, Saúde e Espiritualidade.
Paralelamente a estas atividades institucionais, outras escolas médicas também possuem grupos acadêmicos que realizam Seminários sobre Saúde e Espiritualidade, como o Núcleo de Saúde e Espiritualidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a Liga a acadêmica de saúde e espiritualidade (LIASE) da Universidade Federal de Goiás(UFG) , e a Sociedade Cientifica de Saúde e espiritualidade (SOCISE) da Faculdade de Medicina de Marília( FAMEMA).
Além disso, há diversos congressos nacionais sobre a temática como os congressos acadêmicos (Botucatu, Marília e Campinas); o MEDNESP (Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil); o Congresso Brasileiro de Espiritualidade e Religiosidade na Saúde Mental; Congresso Nacional Universitário de Saúde e Espiritualidade; Congresso Brasileiro de Espiritualidade e Prática Clínica; Encontro de Medicina e Espiritualidade de Alagoas e o Simpósio Paulista sobre Saúde, Espiritualidade e Educação, dentre outros.

Agências Fomentadoras de pesquisa em espiritualidade:

É cada vez mais freqüente o número de entidades que oferecem apoio financeiro às escolas médicas que iniciam o cursos de Saúde e Espiritualidade como é o caso da John Templeton Foundation e a George Washington Institute for Spirituality and Heath nos Estados Unidos.

Papel da Associação Médico-Espírita na implementação da espiritualidade nas universidades:

A Associação Médico Espírita do Brasil (AME-Brasil), contribuiu direta ou indiretamente por meio de seus associados na implementação tanto das disciplinas curriculares e opcionais sobre espiritualidade, quanto na organização e apoio aos grupos acadêmicos, respeitando as diferentes crenças culturais e religiosas. Outra área de atuação está ligada ao fomento do estudo, da pesquisa e da divulgação da Espiritualidade na prática clínica, tendo patrocinado a realização de eventos no Brasil com renomados pesquisadores internacionais.

O Congresso Nacional da AME-Brasil (Mednesp 2005) contou com a participação do Dr. Harold Koenig, professor da Duke University e autor do Handbook of Spirituality and Health e Espiritualidade no cuidado com o paciente, cuja tradução da 1ª edição brasileira foi realizada por esta instituição.

No Congresso Internacional da AME-Brasil (Medinesp 2007) estiveram presentes o Dr. Melvim Morse, professor da Universidade George Washington e pesquisador pioneiro sobre Experiência de Quase-Morte em crianças, e o Dr. Erlendur Haraldson Ph.D., professor emérito da Universidade da Islândia, reconhecido mundialmente por suas pesquisas sobre visões no leito de morte.

Além disso, a AME-Brasil possui em seu site um banco de teses e dissertações de mestrado que abordam a questão da espiritualidade. A sua regional São Paulo, possui pesquisadores sobre espiritualidade vinculados à Universidade Federal de São Paulo, Santa Casa de São Paulo e Faculdade de Medicina do ABC e já realizou simpósios e seminários sobre Saúde e Espiritualidade, inclusive com atividades práticas junto aos participantes48.
Saúde e espiritismo:
O espiritismo é a terceira religião mais prevalente em nosso país segundo o Censo de 2000. A procura por centros espíritas vem crescendo nas últimas décadas em busca da Terapia Complementar Espírita (baseada na aplicação de água fluidificada, passe, prece, evangelho e caridade), isso vem ocorrendo devido a algumas limitações da medicina tradicional. Poucos grupos de estudo têm se dedicado ao estudo da Terapia Complementar Espírita no processo saúde-doença e nos desfechos clínicos.

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